Você realmente não sabe o que é sofrer, o que é ver o seu mundo cair debaixo de seus pés e só ver olhos furiosos te fuzilando no momento em que espera aquela mão amiga pra te salvar. Mas, cadê ela? Não, a mão não está lá. Ela está junto com aqueles olhos fuzilantes e totalmente cego de raiva. Raiva alimentada de palavras falsas, escarradas por pessoas que não fazem questão. Assim como você não fez. Assim quando você deixou o chão me engolir. Te fizeram a cabeça? Ah, tudo bem. Mas não foi a primeira vez. E, sinceramente, não vou desculpar você por vir chorando e falando meia dúzia de palavras. Porque tanta exigência? Simples. Porque DOEU. Porque AINDA DÓI. E não me venha com que dói mais em você do que mim, pois você teve todo mundo para te apoiar. Quem eu tive? HM, o chão? Dizem que do chão não passamos, não é? Pois é, não passei do chão, mesmo com ele desabando, e não vou passar a acreditar em você como antes daqui para frente. Simplesmente porque quando todos nos julgam injustamente (as vezes até justamente!), esperamos que os amigos fiquem ao nosso lado (assim como eu sempre estive do seu…). E eu me perguntei tanto: “Cadê meus amigos?” Não, eles não eram meus amigos. Amigos acreditam em nós, questionam se for o caso, mas conversam primeiro. E você nem me ouviu. Vou fazer o que? Eu nem pude me explicar. Simplesmente vou seguir. A vida continua. Felizmente vocês não é (são) meu ar, porque se dependesse de vocês eu morreria asfixiado.
Ser apenas um poço de bondade não tem tanta graça. Todos apenas nadam, e nadam, e nadam. Tomam um golinho aqui, outro acolá. Sem muitas movimentações. Bom é ser mar, é ser movimento. É ter dias de pura ressaca depois de uma maré cheia. Deixar a lua nos influênciar de vez em quando… Afogarmos, darmos caldo, e arder nas feridas abertas. Bom é ter ondas, rebuliço, tsunami. Devastar corações, deixar praias lotadas desertas, e por aí vai. Mas o bom mesmo é não ter medo de um dia ser poço, e no outro ser mar. Porque também é bom quando nadam em nós, sentindo-nos, saboreando-nos. Descobrindo alguns pedacinhos nossos que, talvez, ninguém mais descubra.
Amor, é quando você oferece as suas batatinhas fritas, sem esperar que a pessoa ofereça as batatinhas dela. É quando uma menina passa perfume e o menino passa loção de barbear do pai, ai eles saem juntos e se cheiram. Amor é quando o seu cachorro lambe a sua cara mesmo depois de você ter deixado ele sozinho o dia inteiro. O amor é quando você diz pra um menino: “que camisa linda você tá usando” e aí ele passa a usar essa camisa todos os dias. Quando você ama, seus olhos ficam girando e pequenas estrelas saem de você. Quando alguém te ama, a maneira de falar seu nome é diferente. Jesus Cristo poderia ter dito palavras mágicas para que os pregos caíssem do crussifixo, mas Ele não disse, e isso é AMOR!
Dentre tantas coisas que o tempo (e Deus, principalmente) vem me ensinando, uma das mais importantes é dizer ás pessoas que ama que você as ama. Deixar a chamada “vergonha” ou “orgulho” de lado e realmente dizer, porque um dia você não as terá mais, e o coração irá pesar muito quando ver quantas oportunidades foram perdidas. E muito mais quando perceber que NUNCA poderá voltar atrás.
Sei e sinto que não é fácil principalmente quando não demonstrar o que sente passa a ser algo impreguinado na cultura pessoal de uma pessoa, mas é o melhor a se fazer. Faz um exagerado bem tanto a mim, que demonstro, quanto a quem eu direciono minha atenção. Sou uma daquelas pessoas que tem uma certa dificuldade pra falar aos pais, irmãos e (as vezes) a amigos que os ama, por isso estou procurando mudar. Um dia não os terei por perto, e isso irá me entristecer bastante. Então por que não demonstrar o que sente? Sempre que falo de amor, as pessoas logo pensam em algo “ele diz pra ela que a ama ou virse e versa”. Tudo bem, pode ser assim. E muitas vezes é. Mas existe uma variedade tão grande de amores… por que ficar apenas em um? Sabe, não posso deixar de questionar: POR QUE as pessoas não demonstram (por várias vezes) o seu amor por Deus? Cara, Ele nos mostrou e nos deu O MAIS PERFEITO AMOR DE TODOS! Então por que não retribuir? Mesmo que não seja o bastante, Ele é nosso Pai, irmão e amigo. Não deveria ser difícil assim.
Olho para trás e percebo o quanto eu não fiz nesses anos todos. Deixei de lado coisas importantes e fui à busca de aventuras. Minha vida se resumia em uma só coisa: libertação. Não pensei de outra forma. Basicamente tracei um caminho sem volta. Assim eu vivia; assim eu queria viver. Eu achava, às vezes, que estava sendo controlado por algo. Algo que me deixava covarde. Nunca consegui me libertar desse controle. Até parece contraditório: tenho libertação de tudo, menos do próprio controle. É engano meu, ou não. Sinto-me cada vez mais inútil nessa terra de infortúnios. Mas quem gostaria de ser útil numa terra assim? Mesmo assim, não sei. Não sei o que faço aqui. Sou completamente uma pessoa sem respostas. Há perguntas em minha vida, há sim. Mas o que faltam são respostas. Onde as achar? Isso já se torna uma pergunta, portanto, já é fácil de imaginar o que seja. Mas esses meus pensamentos me tem deixado louco. Sou um louco desafortunado. Vivo da miséria de um país desgastado. Vivo da miséria dos miseráveis. Vivo do pão que o diabo amassou. Vivo do estrago, do vício, da inconseqüência, do desalento, do mistério, do desamor. Morro no cais, no porto, na hora de dormir. Morro no chão da estrada, na quinta rua. Morro no céu. No infinito.
Saudade não é o que a gente sente quando a pessoa vai embora. Seria muito simples acenar um ‘tchau’ e contentar-se com as memórias, com o passado. Saudade não é ausência. É a presença, é tentar viver no presente. É a cama ainda desarrumada, o par de copos ao lado da garrafa de vinho, é a escova de dentes ao lado da sua. Saudades são todas as coisas que estão lá para nos dizer que não, a pessoa não foi embora. Muito pelo contrário: ela ficou, e de lá não sai. A ausência ocupa espaço, ocupa tempo, ocupa a cabeça, até demais. E faz com que a gente invente coisas, nos leva para tão próximo da total loucura quanto é permitido, para alguém em cujo prontuário se lê “sadio”. Ela faz a gente realmente acreditar que enlouquecemos. Ela nos deixa de cama, mesmo quando estamos fazendo todas as coisas do mundo. Todas e ao mesmo tempo. É o transtorno intermitente e perene de implorar por ‘um pouco mais’. Saudade não é olhar pro lado e dizer “se foi”. É olhar pro lado e perguntar “cadê?”. (Beeshop)